Escrevi este artigo em 2011… mas porque não republicá-lo, hmm? Parece-me pertinente!

 

Há pouco mais de quarenta anos, recordo-me de um slogan do período militar que dizia “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Acredito que seja do período Médici, porque nasci durante o governo Geisel e lembro-me de ver, durante a minha primeira infância, panfletos já antigos com esse bordão. Acabei demorando bem mais de 30 anos até ter uma resposta àquele apelo! Mas, enfim, eis que a tenho: deixo-o, querido país… aliás, apenas porque o amo! Paulatinamente, contudo… assim como o deixam Alex(es) Kipman e Fernandas Viegas. Com a terra no coração e um mundo a conquistar!

 

Apenas não é o momento para insistir no Brasil… mas isso não significa que não saibamos o valor desse precioso pedaço da Terra!

 

É um problema pessoal com a Democracia!

 

Por ideologia, sou filhote de Joseph Schumpeter e Pjotr Kropotkin e, consequentemente, acredito no fim das fronteiras políticas, linguísticas e religiosas… acredito em um mundo unido onde todos transitem por onde queiram e sejam livres para se comunicarem e praticarem o que quiserem sem rótulos ou barreiras. Mas tenho plena ciência de que a gestão da liberdade positiva/negativa (Isaiah Berlin) exige, antes de tudo, uma coletividade de seres humanos cônscios (d)e um pacto social justo e que, para tanto, compreendem profundamente o sentido da vida em sociedade. Isso demanda (uma quimera chamada) “abstração filosófica”… e, por isso, sou contra a democracia!

 

Calma, vou explicar a asserção “sou contra a democracia” com uma análise sobre o cenário vigente (que muito insisti em não apresentar):

 

1. A corrupção, senão por outros motivos (muito há que se falar sobre isso!), advém do “instinto de preservação” que, em situações críticas vem a “corromper” o caráter e torna o ser humano perigosamente egoísta para interagir socialmente – por favor, não estou defendendo a corrupção, estou apenas assinalando à sua “gênese” psicossocial! Uma prova disso é que ela ocorre mais amiúde em países cuja situação econômica impõe dificuldades severas à população… e.g. África, Leste Europeu (vejamos a “Holodomor”) e América Latina. O Brasil é, dessa forma (pelas razões expostas), um país fundamentadamente repleto de corruptos. Ora, sempre houve corruptos por aqui… desde os jesuítas! Agora revisem este “item 1” e concluam por quê nós os temos em maior quantidade nos últimos anos!

 

2. Por mais que se fale (ou advogue) em favor dos “Anos PT”, o Plano Real foi, desde a Proclamação da República, a única medida econômica que conseguiu impactar a sociedade tão profunda e integralmente (do ponto de vista cognitivo e comportamental, principalmente). Primeiro, que (apesar de eu não ser de todo a favor das privatizações), em um país de corruptos, essa é uma forma bastante válida de sanear as contas públicas – e houve, sim, um enxugamento bastante significativo em todo o gasto governamental na época (todos inclusive conhecemos uma meia dúzia de infelizes demitidos do governo federal nesse período, hmm?). Segundo, que a abertura econômica e a política cambial tornaram o país mais esforçado (do ponto de vista da indústria) e aparentemente “rico”. Rico?!? Sim, graças à entrada de produtos asiáticos no Brasil (ainda bem que eles já existiam e eram tão baratos então), os brasileiros passaram a sentir o poder de compra da sua moeda. E, terceiro, que, no contexto internacional, as medidas políticas e econômicas dos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso foram muitíssimo bem colocadas e criaram uma espécie de “crise fiduciária às avessas” – entre 1994 e 1995, consumidores e lojistas esqueceram que nossos preços se alteravam com tanta frequência! Nós, brasileiros começamos a acreditar na nossa moeda! E isso trouxe estabilidade. (quanto ao PT… quem ouviu falar de PT nessa história de estabilidade?).

 

3. Essa estabilidade ensejou um ciclo de prosperidade inédito no Brasil. Quanto mais crises aconteciam no resto do mundo, mais os investidores estrangeiros passavam a ver o Brasil como um “próspero e estável mercado emergente”. Observe-se aí “próspero” (juros altos), estável (risco baixo)… e, principalmente, “mercado” (consumidor) – exceto pela Índia e China (que produzem muito), o polinômio BRIC é composto por países que, infelizmente, consomem demais! E esse é o caso do Brasil (e também da Rússia), prova disso é a recente ascensão das redes de varejo nesses lugares. Dessa forma, foi o próprio capital estrangeiro que, passando pelo Brasil, (re)adquiriu baluartes internacionais do capitalismo como Budweiser e Burger King através de mãos experientes (e amiúde capacitadas no exterior) como Lemann, Telles, Sicupira etc.. Mas, o que é Riqueza (monetária) senão “a quantidade de vezes que o dinheiro passa (entra e sai) pelo seu bolso por unidade de tempo” (é um conceito engraçado, mas verdadeiro!)? Desde 1996, o dinheiro tem entrado e saído do bolso do Brasil lindamente! O Brasil tem sido, portanto, rico! E sabe por quê? PORQUE LÁ FORA ESTAVA PIOR! Só por isso! As condições econômicas nos EUA e Europa tornaram-se tão temerárias nesse período que os investidores puseram o seu dinheiro cá no Brasil… simples assim. É de se esperar, por conseguinte, que a (re)estabilização daquelas economias faça com que o dinheiro volte pra lá. Porque dinheiro só existe quando se produz (China, Filipinas, Coréia – onde existem infraestrutura, fábricas eficientes e mão-de-obra barata), ou se etiqueta (EUA, Europa, Japão – onde existe pesquisa e desenvolvimento)… o que o Brasil tem feito?

 

Deu pra entender, né?

 

Então… hora das conclusões:

 

A. A alta do dólar e a inflação não foram meras “culpas do governo”, são efeitos do (lento, mas constante) reequilíbrio econômico na Europa e EUA. Previsível (item 3)! Os investimentos estrangeiros no Brasil caem (cai o Ibovespa, inclusive, por exemplo), sobe o dólar… sobem consequentemente os custos de muitas matérias primas e insumos da indústria (obtidos no exterior) e sobem, assim, os preços finais ao consumidor. As manifestações no Brasil (que eu, aliás, APOIO – de alguma forma precisamos mostrar nossa insatisfação!), inclusive, pioram ainda mais nossa imagem de estabilidade lá fora, o investidor corre, dólar aumenta, aumentam preços, aumenta a inflação (falácia lógica do Slippery Slope aqui? Perguntem pro Eike Batista que ele sentiu na pele!).

B. A “péssima qualidade dos serviços públicos” (que nem é tão ruim assim, existem bem piores ao redor do mundo) é fruto da tradição brasileira de não investir em infraestrutura! Principalmente durante governos “democráticos”. Se nós temos alguma infraestrutura nesse país, agradeçamos ao período militar! Infelizmente! Somemos a isso os investimentos em medidas populistas do partido da ocasião no sentido de manter-se no poder e a tradição de corrupção do político brasileiro (item 1) – que tende a dificultar o orçamento governamental e triplicar o valor das obras licitadas – e temos um país engessado: sem saúde, sem transporte, sem educação, sem segurança et cetera.

C. Não adianta lutar por redução de tarifas, melhoria de serviços ou “fim da corrupção”… sabe por que?

 

 

Permitam-me…
Um protesto (a meu ver bastante legítimo e que, de soslaio, explica toda essa piada na qual nos inserimos):

 

 

Apesar de absorverem muitos créditos pelos frutos do Plano Real, o governo PT em nada contribuiu com o surgimento da estabilidade (até então) reinante no país ou o crescimento (profundo e verdadeiro) de sua população… herdou a estabilidade do governo predecessor e, muito pelo contrário, através de seu marketing social e de suas tantas medidas (paliativas) paternalistas fizeram o brasileiro sossegar na crença de que pode (e, ulteriormente, até deveria poder mesmo – mas isso é outra história!) ter acesso a todo tipo de luxo por mais inculto que seja! Ilustrar-se não significa “crescimento pessoal”, não significa status, sequer melhores salários, não significa nada “relevante” (quanto pragmatismo!)… é quase que politicamente incorreto ser “ilustrado” no Brasil de hoje, é arrogante, esnobe, ofensivo… e matamos, assim, a filosofia, a ciência pura e a cultura… (paradoxalmente, em um momento da tecnologia que nunca foram tão acessíveis, tão baratas, tão encantadoramente convidativas!).

 

Somos agora um país de Simpsons (como os EUA – mas sem glamour, rock n’roll, Hollywood e Ivy League!)… um país de sertanejos grosseiros que se preocupam mais com futebol e novela que com conhecimento!

 

Um país cuja exponencialmente crescente estupidez intelectual vê e aplaude triunfarem políticos analfabetos e cantores matutos com melodias paupérrimas e letras sofríveis… que gasta salários e bolsas família em roupas de griffe para se embebedar, dançar a coreografia mais recente do funk e postar as fotos no Facebook alegando que é feliz!

 

Não é…

 

Não sabe por que comprou o que comprou… porque não tem discernimento econômico ou histórico para tal… Não sabe por que fez o que fez… porque não tem posicionamento político sólido (nem liberdade, por conseguinte)! Não sabe se fez certo ou errado… porque incomoda-se com qualquer reflexão sobre Ética que transcenda Christina Rocha ou Marcia Goldschmidt! Não se direciona para o Bem, ou para o Mal… porque sua “religião” não aborda questões axiológicas há séculos! Não sabe sequer se existe… porque abstrações ontológicas ou epistemológicas nunca lhe chegaram aos ouvidos!

 

…Nem sabe do que estou falando!

 

Compra o que a mídia manda, faz o que o funk mostra, julga como a novela sugere… É um “cara legal”, acredita em Deus, nos seus sentidos e até na sua intuição. Bate uma bola com os amigos, toma uma cervejinha…

 

E dorme… há 517 anos!

 

Mas vota e ELEGE SEUS PARES! Quer Democracia!

 

 

Eu não! Não aqui! Não agora!

 


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